O jantar consistiu em vários pratos que foram sendo levados à mesa ao longo de uma hora e meia. Alguns gostosos e outros bem curiosos, no mínimo. Um que me chamou muita atenção foi o Buddha Jumps Over the Wall (佛跳牆). Tradução: Buda pula o muro. Hehe. O prato foi batizado dessa forma, pois dizem que o seu cheiro é tão irresistível que despertaria a tentação até no próprio Buda. PS: caso você tenha dormido nessa aula de História, o iluminado pregava o desapego de todo e qualquer desejo.
É um ensopado que – de acordo com a receita completa e tradicional – requer mais de trinta ingredientes, doze condimentos e pode levar até dois dias para ser preparado. Ali no jantar a gente comeu uma adaptação do prato, porque a versão original é muito cara. Experimentei, claro, e achei rico. Forte.

Essa imagem é da internet porque eu não achei apropriado sacar a câmera do bolso e ficar tirando foto da mesa posta.
A receita típica leva: barbatana de tubarão (meio proibido por causa da caça), estômago de porco, tendão de porco, pato, pombo, peixe, bucho de peixe, camarão, vieira, moluscos, frango, ovos de codorna, broto de bambu, cogumelos, ginseng, pepino-do-mar, japonicus (japonicus? O que ser isso?), chinese wolfberry (?), taro (?), longan (?), entre outros.
A melhor parte é que, quando eu perguntei o que tinha exatamente na nossa versão prêt-à-porter, eles não souberam me responder. Veja que emocionante! Será que eu comi tendão de porco? Não sei. Bucho de peixe? Talvez. E japonicus? Pode ser, quem sabe?
Mas não foi só isso, não. Me aventurei e experimentei enguia assada, um molusco chamado haliote (que parece uma ostra) e a semente da flor de Lótus (boa!). Comi também a sopa Hakka com bolas de arroz (客家湯圓), sticky rice (“arroz grudento”), peixes, lula, polvo. Para acompanhar, molhos doces e salgados.
De sobremesa teve melancia e uma geléiazona bem consistente com recheio de red beans (seria correto eu traduzir como feijão vermelho?), ingrediente popular nas sobremesas daqui.
Bom, no final todos se despediram, se abraçaram e eu saí rolando do restaurante.
Obrigada, família Huang, por ter me mostrado a cultura do outro lado do mundo e, ao mesmo tempo, ter feito eu me sentir em casa.